Post reflexivo-depressivo em meio à calmaria da vida
Já pensei nisso mais de uma vez.
A gente ouve falar por aí de histórias de vida terríveis. Gente que passou a vida lutando contra perdas imensas, jogadas do destino com requintes de crueldade. Mesmo os mais afortunados já foram pegos de calças curtas pela imprevisibilidade dos acontecimentos. Passaram poucas e boas.
Eu não. Fora a morte dos meus avôs, não posso dizer que a vida tem sido má comigo (mesmo porque morte de avós não são lá muito imprevisíveis). Tenho uma família maravilhosa, que depois de algumas "acomodações de terreno" eu acredito que esteja hoje mais feliz e saudável. Não passei fome, sempre tive tudo o que precisei. Tenho saúde, nasci com vinte dedos e só estive em hospital pra operar amígdala e apêndice. Sou amada pelas pessoas que amo. Meu sustento futuro não está ameaçado, estudei em boas escolas e tenho o privilégio de escolher o que quero para a minha vida. Tenho plena consciência que sou (muito) privilegiada.
O que me faz pensar que, pela probabilidade, ou tem algo muito grave me esperando em uma curva do caminho, ou não - a minha batalha a ser vencida nesta vida sou eu mesma.
Já vi meu ânimo e motivação de vida escorrer pelo ralo sem motivo aparente. Vivo procurando um amor que não chega. Minha maior luta é contra o avesso de mim, e se o melhor jeito de vencer um inimigo é conhecendo-o muito bem, isso não se aplica. Passo muito tempo pensando e projetando o que poderia ser ao invés de viver o que é.
E para esse tipo de batalha, não adianta muito ter seguro-saúde nem mesmo ombros amigos por perto. Só quem resolve sou eu. E ela. E eu ainda não sei como.