Não, não vou falar sobre o 11 de setembro (que a essa altura, foi ontem).
Mas já que comecei, vou terminar.
Não é questão de comemorar ou não. Primeiro porque muita gente inocente morreu e vai morrer por causa daqueles aviões. Não só nas torres gêmeas, mas mais ainda no Afeganistão, e ao que tudo indica, logo logo no Iraque também. São todos efeitos da mesma causa. E essa causa não é a Al Qaeda, ou o Bin Laden, ou a política imperialista (colonialista?) dos Estados Unidos.
Sustento fortemente a seguinte tese: o que causou esse (e outros) sofrimento(s) é a resistência que a raça humana criou de pensar coletivamente. Não é pensar em você e mais as pessoas próximas; é ter a bondade e generosidade suficientes para abrir mão de benefícios pessoais, em nome da sociedade inteira. Do mundo inteiro, se for preciso. É ter o espírito grande o suficiente para se confortar não só com a sua alegria, mas a do outro também. É acreditar do fundo do coração que se você for bondoso com o mundo, o mundo é bondoso com você de volta. Que a vingança é desnecessária: se você causa sofrimento ou causaram pra você, a ordem natural das coisas se encarrega de pagar na mesma moeda.
Alguns chamam de Karma, mas eu não gosto de chamar assim. É simplesmente CAUSA E EFEITO. Ação e reação. Cara e coroa.
Hoje fiz uma coisa com a qual me senti tão bem, que saí espalhando para todo mundo.
Ao invés do "1 real pro leite das crianças", fiz a minha boa ação do dia comprando uma sandália para a Charlene, uma menina docíssima de 8 anos, que andava descalça. Os 15 reais que paguei foram muito pouco, quando vi ela escolhendo a que achava mais bonita (laranja - sabia que tínhamos algo em comum), colocando no pezinho sujo e dando rodopios na loja. Sem falar, é claro, do brilho nos olhos e do beijinho de "brigada, tia!" que ganhei. Isso antes dela sair correndo mostrar para a mãe, com uma barbie na mão tão suja e descabelada como ela .
O que se faz com uma página email que não abre nem por decreto real? a) continua tentando com paciência tibetana
b) esmurra o monitor
c) joga uma bomba na UOL
d) vai dormir se corroendo de curiosidade sobre o que tinha lá
e) medita dez minutos sobre a dependência do homem de seus aparatos tecnológicos
E como hoje eu estou me sentindo mais extrovertida, mais exibicionista, sei lá, olha eu aí:
Essa foto foi tirada no aniversário de 9 anos (!) da Mari, em 89, e veio inclusa no já famoso Almanaque Multimídia de Memórias. Repare que o nariz de ursinho e as bochechonas já estavam lá; a diferença é o cabelo. Meu sorriso ainda não havia passado pelo martírio do aparelho fixo, o que destoa um pouco do conjunto. E desta forma está também comprovado que já tive sombrancelhas de Malu Mader ! (pelo menos isso...)
E eu espero ainda ter esse brilho nos olhas e sorriso deslavado. Adoro essa foto!
O "post depressivo-reflexivo em meio à calmaria da vida" aí embaixo teve mais repercussão do que eu imaginava. Confesso que fiquei muito em dúvida se deveria publicá-lo. Acho que é a coisa mais pessoal que já escrevi.
Mas é isso que tem ocupado a minha cabeça. E por isso fiquei longe do mundo virtual por uns dias. Mas o vício me trouxe de volta!
Essa imagem aí do lado não só é a capa de um cd que eu adoro do Belle and Sebastian, como também reflete muito meu estado de espírito: se olhar no espelho e ver outra coisa.