Ímpeto de publicar um monte de coisas que eu já escrevi. Ou então de sair correndo nua pelo meio da feira de sábado. O que, na verdade, é a mesma coisa.
Estão todos na forma original, resisti à tentação dos retoques.
Acende-se a manhã:
Faíscas de Sol
Fagulha do Dia
Tão Gentil
Que chegamos a duvidar se hoje o Astro nascerá.
Mas o Sol nasce.
E é como se o Céu, embebido em álcool,
Ardesse num minuto
Em Chamas Diárias.
e nós aqui na terra
sem mais nem menos
vemos
que vai começar tudo de novo. 15/07/2001
Às vezes me sinto meio assim
Quando canto sozinha no carro
E percebo que não sei cantar.
É a mesma sensação de sorrir
E não saber porquê,
Enfeitar-se
Para ninguém ver
Despir-me
E dormir sozinha.
Nessas horas eu penso numa coisa
Que não sei bem o que é
Meio doce, ácida, atrasada
Cheiro de almíscara
Em noite poluída.
Então minha alma viaja
Mais longe que ousei voar
E encontra essa coisa
Meio ácida, ou doce,
Num canto perdido da cidade
Que não me conhece. 26/11/01
A estrela voava mais rápido
A lua brilhava em mais cores
Motocicletas rasgavam a cidade
Os novos prédios eram mais flácidos
Os discos voadores chegavam mais perto
O cheiro do escuro benzia meu corpo
Na noite de lua azul que passei na janela
Pensando em você. 01/12/01
Para um cara
Se ele se esgueira
Por debaixo da minha pele
Sem eu perceber
Como posso pretender
Entender o que me arde?
Perder o chão, a cabeça, a medida
Do que quero e posso
Voltar no tempo
Crianças brincam no quarto
Armaduras no chão
Cartas na mesa
Corpos na cama
Nus
Reinventam o Universo Paralelo. 04-05/04/02
Para outro cara
Por onde começar?
Pelo começo às vezes funciona
Mas não sei onde começou
Talvez em uma noite astrológica
Em um bosque encantado
E não era nada que eu tinha usado
Era um prazer líquido que aguardava
Há tempos ser libertado
Ou talvez tenha começado
Em um sorriso tímido disfarçado
Um beijo noturno eletrônico
Uma vontade de ser um só
A vontade de saber sua história
A vontade...
Um quase grito
Algo quase dito
E eu quase me permito
Ser levada pelo vento.
Até que levaram você antes do que eu. 28 a 03/12/02
Se nossas vidas fossem
Desenhos de luz em pó
Trilhados por vagalumes bêbados
No ar úmido de uma noite qualquer
O nosso desenho:
(eu e você, vagalumes a esmo
em uma noite quente, e perfumada)
Teia de aranha
Seda tecida
A maior constelação do mundo ocidental
Acidental. 31/08/01
Mais um poema para alguém que não conheço.
Escrevi a primeira versão há mais de um ano. Foi um desses escritos que brotam à noite, alheios à minha vontade, depois de um dia inteiro de impressões acumuladas - se não os escrevo, eles crescem a proporções gigantescas e não me deixam dormir. Essa versão (definitiva?) saiu hoje.
Esse é um momento muito delicado. Apesar de saber que agir assim nunca dá certo, durante meses eu construí expectativas para um ano todo em dependência de um momento só. Tudo ou nada. Todos os ovos em uma cesta. É claro que eu sei que, se eu não passar na USP, vou para a Casper Líbero, que também é uma ótima faculdade. Mas ir buscar a Ju na Cidade Universitária em média uma vez por semana, trouxe de volta aquelas idealizações e auto-cobranças que eu tinha no colegial. "Eu mereço estudar na USP". É um pensamento simplista, porque assume que estar na USP é melhor do que em qualquer outro lugar. É pretensioso, até. Se eu já não tenho mais essa pressão interna de ser a melhor, estudar nos melhores lugares e ser a melhor da turma, porque não consigo encarar essa maldita (bendita?) prova com tranquilidade? Será que eu realmente mudei nesse aspecto? Ou eu ainda espero ser aquela mulher da Revista Cláudia - feliz no casamento, bem sucedida na carreira, mestre na arte do sexo, ótima mãe de crianças lindas, que exerce sua cidadania e vai na manicure toda semana?
Até um tempo atrás, eu estava com essa ansiedade toda transparecendo. Aí as pessoas ao meu redor começaram a se incomodar com a minha irritabilidade, com toda a razão. Então eu coloquei a máscara da Mirana-tudo-bem, e comecei a engordar de novo. (suspiro).
É, eu ainda sou a mesma de sempre.
Isso é que é modernidade:
As fotos do aniversário do Darrow, direto de Manhattan. Se não fosse pelo dólar, eu não teria perdido por nada desse mundo. Ele e o Bill (gerente de um teatro da Broadway) conhecem as pessoas mais "inn" da cidade. Chegaram de limousine, e ouvi dizer que a festa até saiu em coluna social... :)
É isso aí, Sidney!
Conheci o Darrow quando ele se hospedou lá no hotel. Esbarramos com ele na balada por acaso e aí já era... Ele não reconheceu eu e o Ró sem aqueles blazers azuis horrorosos. Mas o Sweety, que tem olho clínico, já tinha reparado na boa pinta do galã e já tava jogando o lencinho... E o Darrow ficou escandalizado, como aqueles recepcionistas tão eficientes, sérios e prestativos podiam se transformar nas figuras mais despirocadas da balada. Saldo: um mega jantar no Bar des Arts por conta da Linklaters, e uma amizade descontraída. Um doce de pessoa.
Simplesmente organizei minha rotina, nessa Reta Final de estudos, de forma que o computador não cabe. Quer dizer, cabe uns quinze minutos três vezes por semana, para ver e-mail. Tentei postar algumas vezes nesses minutinhos roubados das apostilas, mas o computador do meu pai não aceita o blogger. Então eu tenho que esperar uma situação propícia como hoje, que eu tenha tempo e o computador dos meninos esteja vago. Sem traumas ou vícios: questão de prioridade. Estou prometendo tanta coisa para quando passarem as provas... Duvido que eu vá dar conta de tudo.
Nesses quase quinze dias, aconteceram algumas coisas importantésimas:
Minha mamma fez cinqüenta anos. Comemoramos em um choppinho só nós três, eu, ela e a Ju, e depois em uma balada à altura da ocasião, no sábado. Ela estava tão bonita...Fiquei corujando. Mãe, já te falei que tenho orgulho de ser sua filha?
- Tive a pior crise hormonal da história feminina. Eu, que sou normalmente calma e dócil, até meio boba às vezes, me transformei em um monstro na sexta passada. Tadinha da Ju, que ficou com a bomba maior. Apesar de só ter sido responsável por 10% do problema.
- E no meio da crise, que nem eu sabia como poderia passar (só queria ir para casa dormir, acabar logo com um dia tão amargo), ela e a Fadinha me levaram no teatro ver "Monólogos da Vagina". Fiquei ótima. E pensei muito sobre minha própria vagina depois!
- Fiz um simulado dificílimo ontem. O maior treino foi ficar sentada na cadeira por cinco horas - sem pausa para cigarro, só uma ida rápida ao banheiro. Saí com a cabeça tão esgotada que não queria ficar nem de olho aberto. E o resultado vou ver hoje à noite.
- "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Como esperar algumas atitudes das pessoas, se eu mesma não consigo agir assim quando a mesma situação se apresenta?