Um novo espelho virtual de mim mesma. Foi necessário porque eu já não sou a mesma. E a melhor data para comemorar é hoje, que completei 10 kg perdidos. A outra casa ainda tem coisas a serem acertadas, sempre vai ter, mas acho que já está na hora... Esse Umbigo já cresceu demais e não se cabe aqui. Agora em diante, você me encontra no Universo Corpo:
O choro brotou naturalmente, sem resistências nem pressões, enquanto eu trocava de roupa. Alucinada para ir jantar, como se o sushi fosse o antídoto para um veneno letal que corria em meu sangue. Cena de filme, os braços cruzados na parede, cabeça baixa, depois roupas sendo jogadas com violência em cima da cama (nada melhor que chorar sozinha). Foi só mais um choro, nem o primeiro e com certeza não o último, mas foi tão orgânico que, junto com doses cavalares de wasabi, me dão agora lucidez e clareza espantosas sobre o que acabou de acontecer.
Não foi o fato de você não ter vindo. Na verdade, eu já sentia no ar o cheiro do cano, desde quando desligamos o telefone de manhã. Mas a justificativa apresentada, “você está muito frágil agora”, me coloca em um dilema emocional sem escapatória.
1. Se eu acredito nas suas boas intenções, automaticamente declaro-me incapaz de saber o que é realmente bom para mim. Coloco na mão de outra pessoa a responsabilidade sobre meu coração. Como se eu não tivesse consciência da minha fragilidade. E me sinto um lixo por tal incompetência em gerenciar meu próprio músculo involuntário.
2. Se eu acho (e eu acho) que na verdade o medo não é sobre o que eu vou sentir amanhã, mas o que você vai sentir, é pior ainda. Fui rejeitada por um fedelho, que prefere a fantasia de mim a eu mesma, em carne osso lábios. E me sinto um lixo por não estar à altura da lembrança que você guarda, ainda que bêbado.
A sua falta de respeito foi ter pegado todas as minhas expectativas e simplesmente jogado fora. Foi não ter percebido que eu estava arriscando pesado, pelo prazer de ver seus olhos. Que tudo o que eu esperava era não dormir sozinha. Ou você realmente acha que eu, num impulso, simplesmente peguei o telefone e liguei? Ou me conhece tão pouco, para não imaginar que eu não só havia calculado os riscos de todas as possibilidades, como, mais ainda, eu estava disposta a corrê-los? E que talvez quebrar a cara fosse o jeito mais rápido que eu encontrei de sair da sua vida? Ou não se dá conta que eu fiz isso porque insistia em acreditar que nós podíamos ser mais que aquilo? Eu sei que errei em expor, cedo demais, inseguranças muito íntimas e anteriores a você. Se o fiz, foi esperando que você se sentisse à vontade para fazer o mesmo. Afinal eu estava tateando no escuro desde o começo, e sempre apreciei a coragem de se expor. Mas vamos deixar claro que não cabe a você, baseado tão-somente nisso, julgar o que é melhor pra mim.
O que é imperdoável, no final das contas, é você ter tomado a decisão assim, sozinho. Tirou de mim o livre-arbítrio. Prepotente.
(Quase) todas as vezes que eu encontrei a Dani foi para jantar. E todas as vezes que jantamos juntas, comemos comida japonesa. E nenhuma das duas parece disposta a mudar a tradição.
Sabe como chegaram até aqui? Clicando no google o seguinte:
- "Adoro ser mulher"
- "Galeria Pajé" (um monte, e já faz tempo, por causa de um post antigo)
- "Mensagens bonitas"
- "Desenhos + descendo + escadas"
- "Tatuagem sobre a vagina" (????????????)
Porque diabos eu preciso de tudo isso para aceitar que, simplesmente, não chegou a hora certa, caralho?
E porque é tão doloroso admitir que eu não estou pronta para aquilo que eu mais quero no mundo?
E porque (que merda) EU NÃO ESTOU PRONTA ????????
Se da minha parte já está tudo dito e redito, porque simplesmente não acontece?
Acordar (tarde e com ressaca) com bitocas, cozinhar, espremer cravos, tomar banho, dar comida para as gatinhas, ler jornal enquanto ela estende a roupa, ir fazer um social com a mulherada, comer sushi, assistir "O Barato de Grace" na casa da Marcelinha.
Local do crime: Bar du Bocage + Puerto Livre
Cúmplice: Mamá
Armas utilizadas: Tequila (!) e a sensualidade da minha parceira, para furarmos a fila e entrarmos de graça
Saldo da noite: uma ligeira ressaca, pés doloridos, muito sono e a certeza de que eu não tenho mais aquele pique incansável. Talvez seja a velhice chegando. Ou eu só esteja desacostumada (e sem muito pique para adquirir esse "condicionamento físico" de novo).
A parte tragicômica: " - Sabe, porque eu, tipo, eu transcendo..."
Foi quando eu percebi que deveríamos sair dali o mais rápido possível. Fizemos a fuga no melhor estilo cara de pau.
E que menino tímido, quieto, sério e lindo era aquele?? Toda vez que olhava nos olhos, eu tinha a nítida sensação de "água escorrendo em redemoinho pelo ralo". Sendo que, obviamente, o ralo eram os olhos dele.